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Ameaças e Ataques · Rede, dados e exposição

O que é envenenamento de cache DNS (DNS spoofing)?

O envenenamento de cache DNS é o ataque que faz um servidor de nomes guardar e distribuir uma resposta falsa, de modo que quem digita o endereço certo é levado ao servidor do criminoso. Não há link suspeito para clicar nem erro de digitação: o nome está correto, quem errou foi a resposta. É o ataque que a assinatura de DNS, o DNSSEC, existe para tornar detectável, e o que explica por que confiar no DNS não é detalhe técnico.

Zamak TechnologiesAtualizado em 6 de agosto de 2026

Como um cache de DNS é envenenado

Antes de qualquer conexão, o dispositivo pergunta a um servidor resolvedor qual é o número de um nome. Esse resolvedor guarda a resposta por um tempo para não perguntar de novo. O ataque mira exatamente essa cópia guardada.

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O atacante provoca a pergunta

Ele força o resolvedor a consultar um nome sob seu interesse, por exemplo pedindo um subdomínio que ainda não está no cache. Assim controla o momento exato em que a janela abre, e não precisa mais esperar o cache expirar: a própria especificação calcula que, com essa técnica e uma única porta de origem, a chance de acerto chega a 50% em 7 segundos.

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Dispara respostas falsas em rajada

Enquanto a resposta legítima viaja, ele envia muitas respostas forjadas, cada uma chutando o identificador da consulta. Basta uma acertar antes da verdadeira chegar.

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A resposta falsa é aceita e guardada

O resolvedor não tinha como distinguir: a resposta parecia vir do lugar certo e chegou primeiro. Ele a entrega a quem perguntou e a guarda durante o prazo que a resposta falsa pediu, até o teto que o próprio resolvedor impõe.

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Todo mundo atrás daquele resolvedor é afetado

A partir daí não é uma vítima, são todas: cada pessoa e cada sistema que use aquele resolvedor recebe o endereço errado, sem nada de anormal na tela.

Fonte: RFC 5452, a especificação do IETF sobre medidas para tornar o DNS resistente a respostas forjadas, que descreve o ataque, mede a sua viabilidade e define as contramedidas exigidas dos resolvedores.

Por que o DNS aceitou isso por décadas

  • A resposta era conferida por um número de 16 bits. Era todo o segredo compartilhado entre pergunta e resposta, e a própria especificação calcula: com esse campo bem sorteado, bastam cerca de 32 mil tentativas em média para acertar.
  • Quem chega primeiro ganha. O resolvedor aceita a primeira resposta que pareça válida e descarta as seguintes. O atacante não precisa impedir a resposta verdadeira, precisa apenas correr mais.
  • O prazo de validade vem na própria resposta. A resposta falsa carrega o tempo que pede para ficar em cache, e é isso que decide por quanto tempo o envenenamento dura. O limite não é do atacante nem da vítima: é o teto que cada resolvedor impõe, e nas configurações mais comuns esse teto é de 24 horas.
  • A vítima não tem sintoma. O endereço na barra está certo, o nome está certo, e nada avisa que a tradução foi adulterada. É por isso que o ataque não aparece em treinamento de conscientização: não há o que a pessoa possa notar.

As formas de entregar a resposta errada

  • Envenenamento do cache A forma clássica e a mais valiosa para o atacante, porque contamina de uma vez todos que usam aquele resolvedor. É a que a RFC 5452 mede e a que o DNSSEC torna detectável.
  • Resposta forjada na rede local Em rede aberta ou comprometida, o atacante responde à consulta antes do servidor legítimo, sem precisar envenenar cache nenhum. Atinge quem está naquela rede, um de cada vez.
  • Resolvedor alterado no dispositivo Em vez de enganar o resolvedor, o ataque troca qual resolvedor o aparelho usa, apontando para um servidor do criminoso. Aqui o problema já está dentro do equipamento.
  • Sequestro do registro no registrador Não é falsificação, é tomada de controle: com acesso à conta do domínio, o criminoso muda o registro na origem. A resposta passa a ser oficialmente errada, e o DNSSEC não impede, porque quem controla essa conta controla também o elo que ancora a assinatura no domínio de cima: basta removê-lo ou trocá-lo pelo seu para o domínio deixar de ser assinado.

O que muda quando a tradução não é confiável

32.768
tentativas em média bastavam para adivinhar o identificador de uma consulta, porque o campo tem apenas 16 bits (RFC 5452)
50%
de chance de envenenar um registro em uma semana, a 7.000 pacotes falsos por segundo (4,5 Mbit/s), no cenário em que o atacante espera o cache de uma hora expirar para tentar de novo (RFC 5452)
285 Gb/s
é o piso de banda que o mesmo ataque passou a exigir depois que os resolvedores passaram a sortear também a porta de origem, o que multiplicou o espaço de busca por 64 mil (RFC 5452)

O DNS é a camada que ninguém enxerga e da qual tudo depende. Um endereço envenenado não afeta só o acesso a um site: afeta o aplicativo que chama uma interface de programação, o servidor que busca uma atualização, o sistema que se conecta ao banco de dados e, o que mais importa aqui, o servidor que procura para onde entregar o e-mail do seu domínio. É por isso que este ataque aparece como fundação de uma família inteira de defesas: o registro que diz quais servidores podem enviar em seu nome, a chave que confere a assinatura das suas mensagens, a política que exige canal criptografado, todos eles são respostas de DNS. Se a tradução puder ser adulterada, cada uma dessas defesas responde exatamente o que o atacante quiser que ela responda. A correção de 2008, que fez os resolvedores sortearem também a porta de origem, encareceu o ataque em ordens de grandeza, mas encarecer não é impedir: continua sendo uma corrida em que o mais rápido ganha, e não uma verificação de quem está falando: a própria especificação calcula que, mesmo com as 64 mil portas recomendadas, o nível de 50% é alcançado em cerca de 116 horas. Há ainda a consequência que costuma passar despercebida na diretoria: boa parte dos certificados digitais é emitida contra uma prova publicada no DNS. Quem controla a resposta pode obter um certificado válido para o seu nome e exibir o cadeado no site falso, e pode desviar para onde o seu domínio recebe e-mail, que é como um pedido de mudança de conta bancária chega convincente ao seu cliente.

Como reduzir a exposição ao envenenamento

A defesa se divide entre o que você faz como quem consulta e o que faz como dono de um domínio:

  1. Use resolvedores que validam assinaturaUm resolvedor que confere o DNSSEC recusa a resposta adulterada em vez de repassá-la. É a única defesa que ataca a causa, e não o custo do ataque.
  2. Assine o seu próprio domínioAssinar permite que quem consulta o seu nome detecte adulteração, incluindo os servidores que entregam o seu e-mail. É a metade do problema que está ao seu alcance resolver sozinho.
  3. Trate a conta do registrador como conta críticaO sequestro na origem não é falsificação: quem tem a conta pode desligar a própria assinatura. Verificação de dois fatores, trava de transferência e revisão de quem tem acesso valem mais aqui do que qualquer outra medida.
  4. Mantenha os resolvedores internos atualizadosAs contramedidas da especificação, como o sorteio da porta de origem, só valem se o software estiver em versão que as implemente. Resolvedor antigo em rede interna é a porta que a correção de 2008 nunca alcançou.
  5. Registre as consultas de DNSO histórico de consultas é o que permite reconstruir um incidente e perceber padrões estranhos. É a mesma matéria-prima que a filtragem de DNS usa para bloquear domínios maliciosos.

Na prática

É como adulterar a lista telefônica em vez de invadir a casa: você procura o nome certo, disca o número que a lista devolveu e quem atende é outra pessoa. Nada no seu lado parece errado, porque nada no seu lado está errado. Por isso este ataque não se resolve com atenção do usuário, e sim com uma resposta de DNS que possa ser conferida.

Como a Zamak trata a confiança no DNS

A Zamak Technologies trata o DNS como camada de confiança, e não como cadastro: resolvedores que validam assinatura, domínio do cliente assinado, conta de registrador com acesso controlado e histórico de consultas guardado para investigação, junto de quem já responde pela rede do cliente. Toda a autenticação de e-mail repousa nessa camada, porque SPF, DKIM e DMARC são todos respostas de DNS. O DNSSEC explica como essa conferência funciona, e a filtragem de DNS trata o outro lado do problema, o domínio que é malicioso desde a origem. Isso faz parte da Cibersegurança gerenciada do Método Zamak.

Perguntas frequentes sobre envenenamento de DNS

Como eu percebo que fui vítima de envenenamento de DNS?
Normalmente não percebe, e essa é a característica que define o ataque. O endereço digitado está correto, o nome exibido está correto e não há aviso nenhum. Os indícios costumam ser indiretos: um certificado que o navegador recusa, um serviço que pede credencial fora de hora, ou o mesmo nome resolvendo para endereços diferentes em máquinas diferentes.
Envenenamento de DNS é a mesma coisa que um site falso de phishing?
Não, e a diferença é justamente o que torna este ataque mais perigoso. No phishing você é levado a um endereço parecido, e olhar com atenção salva. No envenenamento, o endereço é o legítimo: a tradução dele é que foi adulterada. Nenhum treinamento de atenção protege contra isso.
Se os resolvedores já foram corrigidos em 2008, isso ainda acontece?
A correção encareceu muito o ataque, mas não mudou a natureza dele: continua sendo uma corrida em que a primeira resposta plausível vence. Redes locais abertas, resolvedores antigos e equipamentos que interceptam consultas mantêm a porta viva, e por isso a resposta definitiva é a assinatura, não a dificuldade.
O DNSSEC resolve o problema sozinho?
Resolve a parte que é falsificação, e só quando as duas pontas participam: o domínio precisa estar assinado e o resolvedor de quem consulta precisa validar a assinatura. Não resolve sequestro na origem, quando o criminoso obtém acesso à conta do domínio, porque de lá ele pode remover ou substituir o elo que ancora a sua assinatura. Vale notar o outro lado: se ele não conseguir mexer nesse elo, o resolvedor que valida recusa a resposta e o sequestro falha de forma visível, em vez de funcionar em silêncio.
Isso tem alguma relação com a segurança do meu e-mail?
Relação direta, e é a menos óbvia do tema. Todos os controles de autenticação de e-mail vivem em registros de DNS: a lista de servidores autorizados, a chave que confere a assinatura das mensagens e a política que diz o que fazer com o que não passa. Se a resposta de DNS puder ser adulterada, essas defesas podem ser adulteradas junto.

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