Pular para o conteúdo
Segurança de E-mail

O que é falsificação de e-mail (spoofing)?

A falsificação de e-mail, ou spoofing, é o envio de uma mensagem em que o remetente exibido na tela não é quem realmente enviou. Qualquer pessoa, de qualquer servidor do mundo, pode escrever o nome e o endereço da sua empresa no campo de remetente, sem precisar invadir nada, porque o protocolo que transporta o e-mail nunca foi desenhado para exigir prova de identidade. É a base técnica do phishing e da fraude do falso executivo, e a razão pela qual existem SPF, DKIM e DMARC.

Zamak TechnologiesAtualizado em 6 de agosto de 2026

Como um e-mail falsificado é montado

Toda mensagem carrega dois remetentes: o do envelope, que os servidores usam para transportá-la, e o do cabeçalho, que é o que aparece para a pessoa. Eles não precisam ser iguais, e é nessa folga que a falsificação acontece.

1

Escolhe um nome que abre portas

O criminoso seleciona um domínio de confiança da vítima: a própria empresa dela, um fornecedor, um banco ou o e-mail de um diretor. Não é preciso ter acesso a nada disso.

2

Escreve o remetente à mão

O campo que aparece como remetente é texto livre, preenchido por quem envia. Nada no envio confere se aquele endereço pertence a quem está enviando.

3

Despacha por um servidor qualquer

A mensagem sai de uma infraestrutura controlada pelo criminoso, muitas vezes alugada por horas. O servidor de origem não tem relação nenhuma com o domínio falsificado.

4

A vítima vê o nome, não o caminho

O programa de e-mail exibe o nome de exibição em destaque e esconde o resto. No celular, quase sempre só o nome aparece, e o endereço real fica a dois toques de distância.

Fonte: documentação oficial da Microsoft sobre autenticação de e-mail, que descreve as duas identidades de remetente de uma mensagem (a do envelope, definida na RFC 5321, e a do cabeçalho, definida na RFC 5322), e o material de segurança de e-mail da N-able University.

Por que o e-mail permite isso desde sempre

  • O protocolo de e-mail nasceu sem autenticação. Na documentação da Microsoft a frase é literal: por desenho, o e-mail SMTP na internet não faz nenhum esforço para validar que o remetente é quem diz ser. Ele foi criado para uma rede pequena, onde todos se conheciam.
  • Existem dois remetentes e só um é conferido. O do envelope é verificado pelo SPF; o que a pessoa lê na tela pode ser outro, e é justamente esse que convence.
  • Não é invasão, é redação. Falsificar não exige senha, vulnerabilidade nem acesso ao ambiente da empresa cujo nome está sendo usado. Por isso não deixa rastro nenhum do lado de quem foi imitado.
  • Sem política publicada, o recebedor fica no escuro. Se o domínio não diz quem pode enviar por ele nem o que fazer quando a conferência falha, cada provedor decide por conta própria, e a mensagem forjada tende a passar.

As quatro formas de se passar pela sua empresa

  • Domínio idêntico O endereço exibido é exatamente o da empresa. É a falsificação pura, a que o DMARC bloqueia, e a única que a empresa consegue neutralizar sozinha, publicando os registros certos: todo provedor que aplica a política passa a rejeitá-la.
  • Domínio parecido Um domínio de verdade, registrado pelo criminoso, que se parece com o real por uma letra trocada, um hífen a mais ou outra terminação. Como o domínio é dele, ele publica autenticação impecável e passa em todas as conferências.
  • Nome de exibição O endereço é qualquer um, mas o nome que aparece é o do diretor financeiro ou o da empresa. Funciona porque o celular mostra o nome e esconde o endereço.
  • Conta legítima invadida Aqui não há falsificação: a mensagem sai mesmo da caixa da pessoa, com credencial roubada. Passa em toda a autenticação, e por isso é a mais difícil de barrar por registro de DNS.

O que está em jogo quando usam o seu nome

90%
do malware é entregue por e-mail, o que faz da caixa de entrada o ponto de partida de ataques em várias etapas (N-able University, segurança de e-mail)
2
endereços de remetente existem em toda mensagem: o do envelope, que os servidores conferem, e o que aparece na tela, que só passa a ser conferido quando o domínio publica DMARC (RFC 5321 e RFC 5322)
75%
foi a queda no volume de mensagens não autenticadas recebidas pelos usuários do Gmail depois que a autenticação passou a ser exigida (Google, 2023)

O prejuízo de uma falsificação raramente cai sobre quem recebeu a mensagem: cai sobre a empresa cujo nome foi usado. Um cliente que paga um boleto adulterado acreditando ter recebido a cobrança do fornecedor de sempre cobra desse fornecedor, não do criminoso. Um funcionário que transfere dinheiro porque o diretor pediu por e-mail transforma o nome do diretor em instrumento de fraude. E o efeito acumulado é mais silencioso: cada mensagem forjada que circula em nome do domínio degrada a reputação dele junto aos provedores, até que o e-mail legítimo da empresa, a proposta comercial e a nota fiscal comecem a cair em spam. É por isso que a autenticação deixou de ser assunto técnico e virou exigência de mercado: desde 2024 no Gmail e desde 2025 na Microsoft, quem manda em grande volume para as caixas pessoais desses provedores e não autentica simplesmente não é entregue.

Como impedir que falsifiquem o seu domínio

Não existe um botão para desligar a falsificação, mas existe uma sequência que fecha a porta do domínio idêntico, que é a forma mais perigosa:

  1. Levante quem envia em seu nomeAntes de publicar qualquer registro, mapeie tudo que envia com o domínio: o correio corporativo, o sistema de gestão, a ferramenta de marketing, o emissor de notas, o formulário do site. Registro publicado sem esse inventário derruba e-mail legítimo.
  2. Publique o SPF e feche a listaDeclare no DNS quais servidores podem enviar pelo domínio e termine a lista com a instrução de recusa. A instrução fraca, que apenas marca a falha, é ignorada por boa parte dos filtros.
  3. Assine as mensagens com DKIMA assinatura criptográfica prova que a mensagem saiu de quem controla o domínio e que ninguém alterou o conteúdo no caminho. É o que sustenta a autenticação quando a mensagem é repassada adiante sem alteração.
  4. Publique o DMARC e leia os relatóriosÉ o DMARC que amarra os dois anteriores ao remetente que a pessoa vê, e que devolve, todo dia, um relatório de quem vem enviando em nome do domínio. Comece observando, com os relatórios chegando a uma caixa que alguém realmente lê.
  5. Suba para bloqueio quando a medição permitirObservar é o meio do caminho, não o destino. Quando o relatório mostrar que todo envio legítimo está passando, mude a política para quarentena e depois para rejeição. Domínio parado em observação continua falsificável.

Na prática

Falsificar o seu domínio não exige invadir a sua empresa, e é por isso que o seu antivírus e o seu firewall não veem nada acontecendo. A defesa contra a falsificação não mora no seu ambiente: mora em três registros publicados no DNS do seu domínio, que dizem ao mundo inteiro o que fazer com uma mensagem que se diz sua e não é.

Como a Zamak trata a falsificação de e-mail

A Zamak Technologies trata autenticação de domínio como medição, não como formulário: inventário de quem envia, publicação em observação, leitura dos relatórios e promoção para bloqueio só com evidência de que nada legítimo está sendo perdido, ao lado da equipe que já cuida do domínio e não no lugar dela. A verificação de falsificação de e-mail mostra, em segundos e sem cadastro, o que o seu domínio declara hoje ao resto do mundo. O acompanhamento contínuo dessa postura faz parte da Segurança de E-mail Gerenciada e da Cibersegurança gerenciada do Método Zamak.

Perguntas frequentes sobre falsificação de e-mail

Falsificaram o meu e-mail. Isso significa que fui invadido?
Na maioria das vezes, não. Falsificar o remetente não exige acesso nenhum à sua conta, à sua rede ou ao seu servidor: a mensagem sai de uma infraestrutura do criminoso com o seu nome escrito no campo de remetente. A exceção é quando as mensagens saem de fato da sua caixa, com as suas pastas e a sua assinatura, o que aí sim indica credencial roubada e exige troca de senha e revisão de acessos.
Por que recebi um e-mail enviado pelo meu próprio endereço?
Porque o campo de remetente pode ser preenchido com qualquer endereço, inclusive o seu. É um golpe comum em fraudes de extorsão, em que o criminoso escreve o seu endereço no remetente para dar a impressão de que controla a sua conta. Se o domínio publica DMARC em bloqueio, esse tipo de mensagem passa a ser rejeitada pelos provedores que aplicam a política.
SPF, DKIM e DMARC resolvem sozinhos?
Eles derrubam a falsificação do domínio idêntico em todo provedor que aplica a política publicada, que é a forma mais perigosa, e é muito. Não resolvem o domínio parecido nem o nome de exibição, porque nesses casos o criminoso usa um domínio dele, com autenticação própria e válida. Contra essas variações entram a filtragem de e-mail, o treinamento das pessoas e a verificação fora do e-mail antes de qualquer pagamento.
A autenticação também protege o que chega na minha caixa?
Não, e essa confusão é frequente. Autenticação de domínio é controle de saída: impede que o mundo seja enganado com o seu nome. O que chega até você depende de o seu provedor avaliar a política de quem enviou e de você ter filtragem na entrada. São duas camadas distintas, e uma não substitui a outra.
Quanto tempo leva para proteger um domínio?
A publicação dos registros leva minutos. O que leva tempo é a medição entre publicar e bloquear: em geral algumas semanas de relatórios até ter certeza de que todo remetente legítimo foi mapeado. Pular essa etapa é o que faz uma empresa derrubar a própria emissão de notas ou a própria campanha de e-mail.

Termos relacionados

Continue explorando

Ver o índice completo →